08 de fevereiro de 2010 | Atualizada às 19h26m
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Festa reúne adeptos à troca de casais


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Publicada: 03/08/2008

Texto: Célia Silva/Foto: Alberto Dutra

O erotismo está à flor da pele dos praticantes do swing. A troca de casais está aos poucos deixando o círculo da Internet, onde comumente são acertados os encontros, para ganhar espaço nas festas realizadas com o único propósito de reunir adeptos da prática do swing. Só este ano, já foram promovidas duas festas em Aracaju e mais duas estão na reta de produção. Como numa sociedade secreta, o acesso só é permitido com a indicação de um outro casal praticante. A última delas, realizada em junho, num endereço na região do Mosqueiro, reuniu 40 casais.

“Quando começamos a promover os encontros, há cerca de cinco anos, atraíamos no máximo dez casais. Hoje reunimos entre 30 e até 40”, disseram Sheila e Charles, nomes usados pelo casal pioneiro na realização de festas desse tipo em Aracaju e donos do único site sergipano voltado para esse público. Hoje ela estima que existam em Aracaju cem casais adeptos da prática, mas desses apenas um terço freqüenta os encontros. Os demais buscam casas de swing em outros Estados ou preferem os encontros fortuitos acertados nos sites de relacionamento. O site dela tem mais de 3.500 anúncios de casais de todo o mundo se oferecendo para a prática do swing. São homens e mulheres de todas as idades, embora a faixa predominante hoje varie entre 25 e 35 anos.

Prazer e Ciúme

Não foi Sheila e Charles que promoveram a última festa, mas Beth e Barney (assim são conhecidos no meio), um casal bem jovem que aparenta no máximo 28 anos. Eles adentraram nos rumos do swing há três anos e meio por curiosidade. “Morávamos em Salvador e tínhamos uma amiga que nos falou do assunto. Atiçou a curiosidade e fomos atrás de mais informações na Internet. Criamos um MSN só para isso, até que nos enchemos de coragem e fomos a uma casa de swing em Salvador. Não foi legal. Rolou muito ciúme. Depois, nas próximas, fomos nos soltando”, relatou Beth.

O ciúme também incomodou o casal Sheila e Charles nas primeiras experiências. “Quando você vê pela primeira vez o seu parceiro com outro rola uma mistura de prazer e ciúme. Depois acaba se acostumando, pois como há confiança entre o casal, sabe que aquela relação é apenas para obter prazer, liberar as fantasias e acaba ali, não tem porque ter ciúme”, falou Sheila, uma loira alta de olhos bem azuis. Ela é casada há cinco anos com Charles, um moreno alto, forte e de falas articuladas.

Festas sem lucro

Segundo Sheila e Beth, as festas não têm fim lucrativo, mas visam apenas reunir os adeptos dessa prática sexual. O passaporte do casal custa em média R$ 40, com direito às bebidas e aos frios servidos no local do evento. Nos grandes centros, as festas geralmente são realizadas em casas de swing (Salvador tem três) e nessas o lucro é o objetivo central. “O intuito das festas que fazemos aqui é para promover o encontro dos casais que assim como nós curtem essa opção. É uma espécie de confraternização onde o dinheiro que arrecadamos com a venda dos passaportes serve para custear o aluguel da casa e comprar os comes e bebes”, falou Sheila.

As festas de swing geralmente ocorrem em casas espaçosas e em bairros mais distantes. O endereço onde aconteceu a última só Beth, Barney e os adeptos sabem. Os promotores apenas disseram que foi na região do Mosqueiro. O som geralmente é mecânico e o freezer aberto, sem necessidade de garçons. Eventualmente, contrata-se um garçom “pessoa do meio”, destacou Beth e Barney.

Mas é Sheila e Charles que descrevem o cenário da festa: há um local para dança, onde geralmente alguém, que queira, faz strip-tease, para descontrair o ambiente. Há mesas espalhadas pelas varandas onde os casais conversam abertamente sobre suas fantasias. Acaba que aqueles que têm intimidade e química trocam carícias. Uns ficam só olhando, sentindo prazer em ver o parceiro ou a parceira com outra e há aqueles que se excitam e se iniciam no jogo sexual ali mesmo, no salão. Tem também os quartos, para os que preferem ir para a intimidade e ainda aqueles que preferem aproveitar a noite em um motel. O lugar é um espaço liberado.

Os riscos

Liberação em tempos de Aids é algo perigoso. “Os riscos existem a partir do momento em que eles não se preservam”, disse a sexóloga Nairete Correia. “A gente recomenda o uso do preservativo, mas não podemos obrigar ninguém a usar”, disseram Beth e Barney. “No local das festas, as camisinhas masculinas são espalhadas em vários pontos da casa”, complementou Sheila.

No ambiente onde sexo é liberado e todos podem andar nus, os inconvenientes são comuns, mas nada que não seja facilmente contornado, segundo Sheila e Charles. Isso em Aracaju, onde as festas reúnem apenas gente conhecida e indicada por algum adepto. “Às vezes o cara chega e insiste. Mas basta um olhar de socorro meu para ela ou dela para mim que um vem ao encontro do outro para desfazer o inconveniente”, disse Charles.

O risco de se expor ou de acabar com o relacionamento também não está descartado. Nos encontros acertados através das redes virtuais de relacionamentos o risco da exposição é bem maior, embora nas festas o perigo de encontrar ou de vir a ser reconhecido na rua também está presente. “Eu costumo sempre dizer aos casais que estão iniciando. Se estão em crise, querendo fugir da rotina, nem pensem em fazer o swing. Swing não é válvula de escape ou salvação de casamento de ninguém, muito pelo contrário. Para participar, precisa estar muito seguro e muito bem com o parceiro. Confiar nele e, sobretudo, ter mente aberta”, falou Sheila.

As regras

O evento tem regras. Só entram nas festas casais estáveis. Solteiros, sozinhos ou acompanhados de garotas de programa, jamais. Os casais podem até virem acompanhados de uma mulher, chamada no meio de Pookemoa. Já um acompanhante do sexo masculino, nunca! “As mulheres são mais cautelosas, não vão sair comentando o que fizeram ou o que aconteceu. Já o homem, não, geralmente não tem esse escrúpulo e pode sair falando”, explicou Charles.
Para poder participar da festa, é preciso ser indicado por um casal que já é do meio. Mas, há um jeitinho de escapar dessa regra. “Se uma pessoa liga querendo participar, a gente conversa muito, até marca um encontro, e como já estamos no meio há um bom tempo dá para saber se são casados, se têm uma relação estável ou se é alguém querendo ir levando uma garota de programa. A gente percebe. Se for solteiro e quer ir com uma namorada nova, sem estar seguro de que é isso que quer, não entra”, falou Sheila.

Swings são encontros secretos e planejados

Quando se fala em swing, há quem associe imediatamente ao escritor francês do século XVIII, o marquês de Sade. Famoso pelos contos eróticos e libertinos que escreveu e pelo sadismo, ficou conhecido também como o marquês do erotismo. Mas para o historiador Fábio Maza, estudioso da literatura moderna e contemporânea e especialista nas obras de Sade, não há relação alguma.

“Do ponto de vista casal fixo, não vejo relação. Em Sade não existe relacionamento marido/mulher e o swing não existe nas obras dele. A associação que pode se fazer é pelo fato de o swing ser algo secreto e planejado”. Ele falou que o escritor libertino narra em seus contos orgias praticadas em sociedades secretas de forma bem ordenada e planejada, a fim de possibilitar uma maior fluidez dos instintos sexuais e, portando, do prazer. No swing, os encontros também são planejados e de forma bem oculta para que seus adeptos não se mostrem à sociedade.

Para ele, os swings de hoje não são novidade, pois já existiam em épocas distantes. “São fantasias sexuais que já existiam no passado, o marquês de Sade é um exemplo, que era uma experiência muito além da ménage e da troca de casais, mas que já existia e refletia, na época de Sade, práticas que já existiam na sociedade francesa e na inglesa”, falou.

A psicóloga Nairete Correia tem especialização em sexologia e disse que o swing não chega a ser uma perversão simplesmente porque é uma escolha. “A pessoa decide que quer ter uma prática sexual livre, aberta, onde pode compartilhar o par com outras pessoas”, disse. Ela comentou que esses casais não encaram o assunto como traição, porque o sexo é feito com a permissão de ambos.

A sexóloga entende que o que motiva os casais a buscarem essa experiência é a busca pela realização. “São pessoas que não se sentem muito realizadas com seu par, então elas buscam fantasias para complementar a sua prática sexual com desejos mais extravagantes. É a coisa do risco, de quebrar regras e correr atrás do proibido”, complementou.

Ela destacou, no entanto, que esse desejo faz parte apenas de um grupo de pessoas, aquelas mais instintivas, mais agressivas em termos de energia de punção sexual. “Todos nós temos um instinto que é inato, não tem limite. Agora, quanto mais a gente se torna culto, menos instintivo a gente é”, falou.

Comentários do Conteúdo

betty e barney
03/08/2008 10:53
Olá, gostaria de deixar claro que o q essa sexóloga está dizendo não condiz com a prática do swing, pois são todos casais muito cultos, ao contrário do q ela tentou passar, e todos muito bem resolvidos e muito bem realizadas com seus parceiros, e ao contrário do q ela diz, são pessoas com uma mente bem mais evoluida do q a maioria! (a matéria ficou dez, pena q a sexologa deu uma opnião dessa, insultando ao preconceito, isso não é ser culto)
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josy
03/08/2008 18:32
Josy Salvador. Não concordo com o que a psicóloga Nairete fala sobre os casais que procuram swing, quanto a ser insatisfação com o parceiro, apenas temos fantasias e podemos coloca-las em pratica. O casal que se ama e tem fantasias e não quer ver o outro frustrado por ter casado e não poder mais nada além de seu casamento convencional, busca fazer a vontade um do outro e vê-lo realizado por completo. Vivemos sem o swing, mais com ele e melhor.No momento a troca é bom,o depois é ainda melhor
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marina
04/08/2008 11:00
Uma pena uma profissional (a sexóloga) ter uma visão tão preconceituosa. Gostei muito da matéria e de saber que há esta prática aqui em Aracaju. Meus cumprimentos aos que encabeçam este "movimento".
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sheila
05/08/2008 13:03
Concordamos plenamente com o que Bety e Barney fala. adoramos a materia mais o comentario da sexóloga dexou a deseja. esperamos que ela proucure si informa mais sobre o swing, sobre este assunto ela esta atrasada, pois temos muitos empresrios, medicos,sexólogo pisicolgo,juizes promotroes,advogados e etc; partispantes de swing e achamos que fica improvavel que pessoas deste nivel não seja
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Rocco
05/08/2008 16:56
Gostaríamos de parabenizar o Jornal da Cidade que através da jornalista Célia Silva publicou essa excelente matéria a respeito do Swing em nossa cidade. Mas ao mesmo tempo lamento que uma profissional que estuda o comportamento sexual tenha opiniões tão limitadas sobre assuntos que envolvem seu dia-a-dia de trabalho. Sugiro que ela procure se atualizar sobre assuntos que a cada dia se tornam mais discutidos como a troca de casais e vai ver o quanto está errada.
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kasalnormal
16/02/2009 02:55
A psicóloga Nairete Correia , está totalmente equivocada, ficando claro isso quando lido por qualquer casal verdadeiramente swing, pena que isso influêncie pessoas que desconhecem o meio swing ñ é pra quem quer ser e sim pra quem já o tem dentro de si
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kdo
26/10/2009 00:30
Estive de passeio a minas gerais com minha namorada a ums meses e lá fomos a uma casa de swing, apenas por curiosidade, acabamos gostando mesmo não temos tido envolvimentos com outras pessoas. Voltando para Aracaju descobrimos que aqui existe tambem casas desse estilo e tentamos encontrar mais não obtevimos sucesso. Por isso gostaria de informaçoes de quem possa nos ajudar, para conseguirmos o endereço ou um telefone para que possamos voltar a uma dessas casas... atenciosamente Kdo
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7 comentários
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